segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Outro cravo, outra rosa (Kate Lúcia Portela)
“Era uma vez uma menina. Ela tinha um amigo. Tinha, não tem mais. Eles brigaram: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido. E a rosa despedaçada. O cravo ficou doente. A rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio. E a rosa pôs-se a chorar.”
No princípio, a menina nem ligou. Afinal, ela tinha muitas amigas. E, com elas, adorava brincar de pular corda: “Um homem bateu em minha porta e eu abri. Senhoras e senhores, ponha (sic) a mão no chão. Senhoras e senhores, pule (sic) num pé só. Senhoras e senhores, dê (sic) uma rodadinha e vão pro olho da rua.”
Mas, com o passar do tempo, a menina começou a sentir saudades do amigo. Então, resolveu visitá-lo. No caminho, encontrou um sapo, que nem era príncipe: “O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer, mas que chulé!”
Aí, a menina resolveu comprar um pirulito para dá-lo de presente ao amigo: “Pirulito que bate, bate. Pirulito que já bateu. Quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu.”
Quando comprou o pirulito, ganhou de brinde um soldadinho: “Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional.”
Caminhou muito, muito e teve que atravessar um rio com a canoa do Seu Chico: “A canoa virou. Vou deixá-la virar. Foi por causa do seu Zé que não soube remar. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o seu Zé do fundo mar.”
Até que ela finalmente chegou até a casa do amigo. Nossa, era uma casa tão diferente: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não. Porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, número zero.”
Finalmente, o menino abriu a porta. A garota o abraçou e lhe deu de presente o pirulito e o soldadinho. Ele adorou a visita, nem se lembrava mais da briga, e ofereceu um lanchinho à amiga: “Meu lanchinho, meu lanchinho vou comer, vou comer. Pra ficar fortinho, para ficar fortinho e crescer, e crescer. Meu suquinho, meu suquinho vou beber, vou beber. Pra ficar fortinho, pra ficar fortinho e crescer, e crescer.”
Eles descobriram que é muito bom quando nos alimentamos de músicas, histórias e poesia... Entrou por uma porta saiu pela outra. Quem quiser que cante outra!”
No princípio, a menina nem ligou. Afinal, ela tinha muitas amigas. E, com elas, adorava brincar de pular corda: “Um homem bateu em minha porta e eu abri. Senhoras e senhores, ponha (sic) a mão no chão. Senhoras e senhores, pule (sic) num pé só. Senhoras e senhores, dê (sic) uma rodadinha e vão pro olho da rua.”
Mas, com o passar do tempo, a menina começou a sentir saudades do amigo. Então, resolveu visitá-lo. No caminho, encontrou um sapo, que nem era príncipe: “O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer, mas que chulé!”
Aí, a menina resolveu comprar um pirulito para dá-lo de presente ao amigo: “Pirulito que bate, bate. Pirulito que já bateu. Quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu.”
Quando comprou o pirulito, ganhou de brinde um soldadinho: “Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional.”
Caminhou muito, muito e teve que atravessar um rio com a canoa do Seu Chico: “A canoa virou. Vou deixá-la virar. Foi por causa do seu Zé que não soube remar. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o seu Zé do fundo mar.”
Até que ela finalmente chegou até a casa do amigo. Nossa, era uma casa tão diferente: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não. Porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, número zero.”
Finalmente, o menino abriu a porta. A garota o abraçou e lhe deu de presente o pirulito e o soldadinho. Ele adorou a visita, nem se lembrava mais da briga, e ofereceu um lanchinho à amiga: “Meu lanchinho, meu lanchinho vou comer, vou comer. Pra ficar fortinho, para ficar fortinho e crescer, e crescer. Meu suquinho, meu suquinho vou beber, vou beber. Pra ficar fortinho, pra ficar fortinho e crescer, e crescer.”
Eles descobriram que é muito bom quando nos alimentamos de músicas, histórias e poesia... Entrou por uma porta saiu pela outra. Quem quiser que cante outra!”
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
O papagaio que ensinava português (Kate Lúcia Portela)
Era uma vez...
Opa!
Era uma vez, não! Eram várias vezes...
O papagaio Clarinho repetia várias vezes as palavras que a professora Norminha lhe ensinava:
LEITURA, LEITURA, LEITURA...
ESCRITA, ESCRITA, ESCRITA...
POESIA, POESIA, POESIA...
HISTÓRIAS, HISTÓRIAS, HISTÓRIAS...
TEATRO, TEATRO, TEATRO...
Essas palavras mágicas estavam relacionadas ao estudo da nossa língua portuguesa.
Com a dona Norminha, Clarinho aprendeu que a língua muda de acordo com o tempo, com o lugar, com as pessoas, com as situações... Parece difícil, mas não é...
O papagaio Clarinho aprendeu bem essa lição quando conheceu outro papagaio: o Dourado.
Dourado vivia feliz, mas não para sempre, numa casinha de telha, numa rua de lama e esgoto, onde moravam um pai, uma mãe e umas crianças. Lá, a pobreza sempre aparecia no plural, pois era pobreza de educação, pobreza de saúde, pobreza de comida, pobreza de segurança, pobreza de emprego, pobreza de esportes... pobrezas.
Um dia, uma coruja o incentivou a procurar por uma escola, onde poderia receber uma educação de qualidade.
Aí, ele partiu.
Durante a viagem, fez amizade com um passarinho que tinha o sonho de conhecer o circo, com um gato que tinha o sonho de conhecer o zoológico, com um cachorro que tinha o sonho de conhecer um parque de diversões...
Quando chegou à cidade grande, estava ansioso por encontrar uma escola. Posou em um palanque, onde havia um microfone:
─ Inducação, Inducação! ─ falou Dourado.
As pessoas da praça, por um momento, pareciam estátuas.
Então, elas começaram a rir de Dourado.
─ Não é inducação, é educação! Você fugiu da escola, senhor Papagaio? ─ disse um homem de terno e gravata.
Neste momento, o papagaio Clarinho apareceu e fez a defesa de Dourado.
─ Vocês estudaram tanto somente para ficar rindo das pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que vocês? Todos têm condições de aprender, sabiam?
As pessoas se sentiram envergonhadas e se retiraram.
Clarinho e Dourado ficaram amigos e trocaram saberes.
Clarinho ensinou para Dourado as palavrinhas mágicas do ensino da língua portuguesa: LEITURA, ESCRITA, POESIA, HISTÓRIAS, TEATRO.
Dourado ensinou para Clarinho brincadeiras muito divertidas, como corda, bolinha de gude, bambolê, catavento, barquinhos de papel, patinete, bolinhas de sabão, pipa...
Até que um dia eles resolveram conhecer a escola da dona Norminha.
Fizeram uma viagem ao Planeta-Escola.
Decolaram rumo ao Universo do Conhecimento!...
Dourado, após um tempo, acabou indo embora, mas deixou uma mensagem para Clarinho:
Clarinho,
Educação. Essa palavra resume a minha história com você. Uma história que é uma aula de português. Leitores como você e eu são como escolas, por isso volto para minha cidade.
Dourado
Opa!
Era uma vez, não! Eram várias vezes...
O papagaio Clarinho repetia várias vezes as palavras que a professora Norminha lhe ensinava:
LEITURA, LEITURA, LEITURA...
ESCRITA, ESCRITA, ESCRITA...
POESIA, POESIA, POESIA...
HISTÓRIAS, HISTÓRIAS, HISTÓRIAS...
TEATRO, TEATRO, TEATRO...
Essas palavras mágicas estavam relacionadas ao estudo da nossa língua portuguesa.
Com a dona Norminha, Clarinho aprendeu que a língua muda de acordo com o tempo, com o lugar, com as pessoas, com as situações... Parece difícil, mas não é...
O papagaio Clarinho aprendeu bem essa lição quando conheceu outro papagaio: o Dourado.
Dourado vivia feliz, mas não para sempre, numa casinha de telha, numa rua de lama e esgoto, onde moravam um pai, uma mãe e umas crianças. Lá, a pobreza sempre aparecia no plural, pois era pobreza de educação, pobreza de saúde, pobreza de comida, pobreza de segurança, pobreza de emprego, pobreza de esportes... pobrezas.
Um dia, uma coruja o incentivou a procurar por uma escola, onde poderia receber uma educação de qualidade.
Aí, ele partiu.
Durante a viagem, fez amizade com um passarinho que tinha o sonho de conhecer o circo, com um gato que tinha o sonho de conhecer o zoológico, com um cachorro que tinha o sonho de conhecer um parque de diversões...
Quando chegou à cidade grande, estava ansioso por encontrar uma escola. Posou em um palanque, onde havia um microfone:
─ Inducação, Inducação! ─ falou Dourado.
As pessoas da praça, por um momento, pareciam estátuas.
Então, elas começaram a rir de Dourado.
─ Não é inducação, é educação! Você fugiu da escola, senhor Papagaio? ─ disse um homem de terno e gravata.
Neste momento, o papagaio Clarinho apareceu e fez a defesa de Dourado.
─ Vocês estudaram tanto somente para ficar rindo das pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que vocês? Todos têm condições de aprender, sabiam?
As pessoas se sentiram envergonhadas e se retiraram.
Clarinho e Dourado ficaram amigos e trocaram saberes.
Clarinho ensinou para Dourado as palavrinhas mágicas do ensino da língua portuguesa: LEITURA, ESCRITA, POESIA, HISTÓRIAS, TEATRO.
Dourado ensinou para Clarinho brincadeiras muito divertidas, como corda, bolinha de gude, bambolê, catavento, barquinhos de papel, patinete, bolinhas de sabão, pipa...
Até que um dia eles resolveram conhecer a escola da dona Norminha.
Fizeram uma viagem ao Planeta-Escola.
Decolaram rumo ao Universo do Conhecimento!...
Dourado, após um tempo, acabou indo embora, mas deixou uma mensagem para Clarinho:
Clarinho,
Educação. Essa palavra resume a minha história com você. Uma história que é uma aula de português. Leitores como você e eu são como escolas, por isso volto para minha cidade.
Dourado
domingo, 25 de setembro de 2011
Diário de Sherazade VII
Querido diário,
Nessa semana, pedi que as crianças imaginassem o que havia dentro de uma caixa que compunha o cenário da história. Elas se mostraram muito inventivas: boneca, bola, bicicleta, anjo, nuvem, árvore, flor, folhas, pizza, livro e outros.
Acredito que a contação de histórias enriquece o potencial criativo das pessoas e sou plenamente a favor de uma pedagogia do imaginário nas escolas.
Considero as crianças como coautoras das histórias, pois elas imaginam personagens, cenários, figurinos... e não são obrigadas a ver as cenas de um modo previamente determinado. Considero isso uma prática valiosa, sobretudo em meio à ditadura visual que impera, por vezes, no mundo.
Muitas escolas não valorizam a criatividade, mas a repetição das ideias. Precisamos dar valor ao lúdico, à interação, à iniciativa dos alunos.
Contar histórias é brincar com as palavras, com a fantasia e com a imaginação!
Na atividade que propus, de se imaginar o conteúdo da caixa, não havia uma resposta certa, mas inúmeras possibilidades de resposta.
Uns se mostraram sensíveis com relação à natureza, outros imaginaram alimentos, alguns imaginaram algo cultural ou brinquedos que marcavam sua infância.
Li que seria relevante pedir às crianças, talvez as maiores, para inventarem um novo final para a história, após a contação. Ou pedir para imaginarem como seria a história na perspectiva de um personagem secundário. Acho que seriam bons exercícios de criatividade...
Certa vez, um menino me chamou em sua carteira, logo depois que eu contei uma história para sua turma. Ele estava rascunhando uma história, que estava inventado com base no meu repertório!
Infelizmente, muitos ainda acreditam que a criatividade é um dom de poucos privilegiados, que não pode ser desenvolvido ou aprimorado...
A contação de histórias leva o imaginário às escolas e outros ambientes, convidando todos ao exercício da criatividade por meio da viagem literária que se promove.
Ela desperta o interesse, a curiosidade, pois lida com o inesperado, o inusitado, o novo. Não se calca em um saber pronto, compartimentado.
Mas bons ventos estão sempre trazendo novas histórias!
Então, precisamos simplesmente in...ventar!
Nessa semana, pedi que as crianças imaginassem o que havia dentro de uma caixa que compunha o cenário da história. Elas se mostraram muito inventivas: boneca, bola, bicicleta, anjo, nuvem, árvore, flor, folhas, pizza, livro e outros.
Acredito que a contação de histórias enriquece o potencial criativo das pessoas e sou plenamente a favor de uma pedagogia do imaginário nas escolas.
Considero as crianças como coautoras das histórias, pois elas imaginam personagens, cenários, figurinos... e não são obrigadas a ver as cenas de um modo previamente determinado. Considero isso uma prática valiosa, sobretudo em meio à ditadura visual que impera, por vezes, no mundo.
Muitas escolas não valorizam a criatividade, mas a repetição das ideias. Precisamos dar valor ao lúdico, à interação, à iniciativa dos alunos.
Contar histórias é brincar com as palavras, com a fantasia e com a imaginação!
Na atividade que propus, de se imaginar o conteúdo da caixa, não havia uma resposta certa, mas inúmeras possibilidades de resposta.
Uns se mostraram sensíveis com relação à natureza, outros imaginaram alimentos, alguns imaginaram algo cultural ou brinquedos que marcavam sua infância.
Li que seria relevante pedir às crianças, talvez as maiores, para inventarem um novo final para a história, após a contação. Ou pedir para imaginarem como seria a história na perspectiva de um personagem secundário. Acho que seriam bons exercícios de criatividade...
Certa vez, um menino me chamou em sua carteira, logo depois que eu contei uma história para sua turma. Ele estava rascunhando uma história, que estava inventado com base no meu repertório!
Infelizmente, muitos ainda acreditam que a criatividade é um dom de poucos privilegiados, que não pode ser desenvolvido ou aprimorado...
A contação de histórias leva o imaginário às escolas e outros ambientes, convidando todos ao exercício da criatividade por meio da viagem literária que se promove.
Ela desperta o interesse, a curiosidade, pois lida com o inesperado, o inusitado, o novo. Não se calca em um saber pronto, compartimentado.
Mas bons ventos estão sempre trazendo novas histórias!
Então, precisamos simplesmente in...ventar!
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
De macacos, bananas e histórias (Kate Lúcia Portela)
Era uma vez um macaco.
Mas não era um macaco como os outros...
Esse macaco não queria comer bananas.
As pessoas, porém, sempre jogavam bananas para o macaquinho.
Algumas bananas até acertavam a sua cabeça. Quando isso acontecia, o macaco ficava muito, muito chateado.
Fazia birra, fazia manha, fazia dengo.
─ Por que não me dão livros? Por que não me dão brinquedos? Por que não me dão um violão? Por que não me dão uma flor? Por que não me dão uma nuvem ou uma estrela? Por que não se dão? ─ indagava o macaco.
Até que um dia, ele conheceu uma criança adorável.
Em vez de lhe jogar uma banana, ela lhe jogou um beijo.
Logo, logo ficaram amigos.
Brincaram de pique-esconde com a lua, brincaram de pique-pega com os cometas, brincaram de pique-alto com as estrelas.
Jogaram amarelinha, jogaram peteca, jogaram bola e sempre venciam o jogo da diversão.
Fizeram barquinhos de papel para navegar no mar da fantasia e aviõezinhos de papel para desvendar o céu de magia.
Leram as histórias da carochinha de trás pra frente.
Cantaram alegremente com as cigarras e trabalharam alegremente com as formigas.
A criança descobriu que aquele macaquinho tinha fome de imaginação.
E eles ficaram ainda mais amigos.
Mas, após brincar tanto e comer tão pouco, o macaco ficou doente.
Então, ele se lembrou das bananas que aquelas pessoas bondosas jogavam para ele, querendo agradá-lo, querendo lhe fazer um carinho de uma maneira especial.
Quando souberam que o macaco estava doente, elas foram visitá-lo, juntamente com a criança que brincava sempre com ele.
Com tanto carinho, com tantas bananas, o macaco ficou bom.
E saiu pelo mundo contando sua história, para que as crianças não ficassem doentes por falta de bananas, para que as crianças não ficassem doentes por falta de histórias...
Mas não era um macaco como os outros...
Esse macaco não queria comer bananas.
As pessoas, porém, sempre jogavam bananas para o macaquinho.
Algumas bananas até acertavam a sua cabeça. Quando isso acontecia, o macaco ficava muito, muito chateado.
Fazia birra, fazia manha, fazia dengo.
─ Por que não me dão livros? Por que não me dão brinquedos? Por que não me dão um violão? Por que não me dão uma flor? Por que não me dão uma nuvem ou uma estrela? Por que não se dão? ─ indagava o macaco.
Até que um dia, ele conheceu uma criança adorável.
Em vez de lhe jogar uma banana, ela lhe jogou um beijo.
Logo, logo ficaram amigos.
Brincaram de pique-esconde com a lua, brincaram de pique-pega com os cometas, brincaram de pique-alto com as estrelas.
Jogaram amarelinha, jogaram peteca, jogaram bola e sempre venciam o jogo da diversão.
Fizeram barquinhos de papel para navegar no mar da fantasia e aviõezinhos de papel para desvendar o céu de magia.
Leram as histórias da carochinha de trás pra frente.
Cantaram alegremente com as cigarras e trabalharam alegremente com as formigas.
A criança descobriu que aquele macaquinho tinha fome de imaginação.
E eles ficaram ainda mais amigos.
Mas, após brincar tanto e comer tão pouco, o macaco ficou doente.
Então, ele se lembrou das bananas que aquelas pessoas bondosas jogavam para ele, querendo agradá-lo, querendo lhe fazer um carinho de uma maneira especial.
Quando souberam que o macaco estava doente, elas foram visitá-lo, juntamente com a criança que brincava sempre com ele.
Com tanto carinho, com tantas bananas, o macaco ficou bom.
E saiu pelo mundo contando sua história, para que as crianças não ficassem doentes por falta de bananas, para que as crianças não ficassem doentes por falta de histórias...
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Pollyanna
Queridos leitores,
Já está disponível o meu artigo da Revista Reconstruir "Pollyanna", no site do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM).
Vale a pena conferir!
http://www.educacaomoral.org.br/reconstruir/literando_edicao_87_pollyana.html
domingo, 21 de agosto de 2011
Procura-se um amigo!
Era uma vez um cachorro.
Seu nome era Dog.
Ele vivia triste, pois não tinha nenhum amigo.
Um dia, ele resolveu pedir um conselho aos outros animais.
Pediu ajuda para o porco.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O porco respondeu que ele deveria ler bastante para atrair amigos.
Dog leu, leu, leu mas não havia ninguém com quem dividir as leituras.
Pediu ajuda para a galinha.
“─ Como faço para ter um amigo?”
A galinha respondeu que ele deveria aprender a cozinhar para atrair amigos.
Dog preparou um bolo de chocolate e brigadeiros, mas não havia ninguém para prová-los.
Pediu ajuda para o macaco.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O macaco respondeu que ele deveria aprender a dançar para atrair amigos.
Dog aprendeu balé e jazz, mas não havia ninguém para dançar com ele.
Pediu ajuda para a gatinha.
“─ Como faço para ter um amigo?”
A gatinha respondeu que ele deveria aprender a contar histórias para atrair amigos.
Dog aprendeu muitas histórias, mas não havia ninguém para ouvi-las.
Pediu ajuda para o pato.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O pato respondeu que ele deveria aprender poesias para atrair amigos.
Dog aprendeu a recitar poesias, mas não havia ninguém para ouvi-lo.
Então, Dog sentou em uma pedra e ficou cabisbaixo.
Acontece que tinha uma coruja cabisbaixa em cima de uma árvore.
Dog chorou.
A coruja chorou.
Até que um ouviu o choro do outro.
─ Por que você está chorando? ─ perguntou Dog.
─ Porque sou uma coruja e não sei ler, cozinhar, contar histórias, dançar ou recitar poesias.
Dona Coruja enxugou suas lágrimas.
─ Todos me acham sábia, mas...
E a coruja desandou a chorar de novo.
Dog ficou entusiasmado.
─ Mas, Dona Coruja, eu aprendi a fazer tudo isso e posso ensinar pra você!
A coruja comemorou, porém logo se lembrou do choro do cachorro.
─ Mas por que você estava chorando?
─ Porque não tenho nenhum amigo...
A coruja voou até a pedra onde estava o cachorro.
─ Eu quero ser sua amiga, posso?
O cachorro comemorou, mas logo se lembrou dos outros animais.
─ O porco, a galinha, o macaco, a gatinha e o pato me deram conselhos para que eu atraísse amigos, mas...
A coruja estranhou.
─ Por que você apenas não pediu para que eles fossem seus amigos?...
─ É, por que não pensei nisso antes?...
Então, Dog conversou com os animais, convidando-os para serem amigos. Aí, ele resolveu dar a Festa da Amizade!
E, no dia da festa, quem leu, cozinhou, contou histórias, dançou e recitou poesias foi a Dona Coruja!...
Seu nome era Dog.
Ele vivia triste, pois não tinha nenhum amigo.
Um dia, ele resolveu pedir um conselho aos outros animais.
Pediu ajuda para o porco.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O porco respondeu que ele deveria ler bastante para atrair amigos.
Dog leu, leu, leu mas não havia ninguém com quem dividir as leituras.
Pediu ajuda para a galinha.
“─ Como faço para ter um amigo?”
A galinha respondeu que ele deveria aprender a cozinhar para atrair amigos.
Dog preparou um bolo de chocolate e brigadeiros, mas não havia ninguém para prová-los.
Pediu ajuda para o macaco.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O macaco respondeu que ele deveria aprender a dançar para atrair amigos.
Dog aprendeu balé e jazz, mas não havia ninguém para dançar com ele.
Pediu ajuda para a gatinha.
“─ Como faço para ter um amigo?”
A gatinha respondeu que ele deveria aprender a contar histórias para atrair amigos.
Dog aprendeu muitas histórias, mas não havia ninguém para ouvi-las.
Pediu ajuda para o pato.
“─ Como faço para ter um amigo?”
O pato respondeu que ele deveria aprender poesias para atrair amigos.
Dog aprendeu a recitar poesias, mas não havia ninguém para ouvi-lo.
Então, Dog sentou em uma pedra e ficou cabisbaixo.
Acontece que tinha uma coruja cabisbaixa em cima de uma árvore.
Dog chorou.
A coruja chorou.
Até que um ouviu o choro do outro.
─ Por que você está chorando? ─ perguntou Dog.
─ Porque sou uma coruja e não sei ler, cozinhar, contar histórias, dançar ou recitar poesias.
Dona Coruja enxugou suas lágrimas.
─ Todos me acham sábia, mas...
E a coruja desandou a chorar de novo.
Dog ficou entusiasmado.
─ Mas, Dona Coruja, eu aprendi a fazer tudo isso e posso ensinar pra você!
A coruja comemorou, porém logo se lembrou do choro do cachorro.
─ Mas por que você estava chorando?
─ Porque não tenho nenhum amigo...
A coruja voou até a pedra onde estava o cachorro.
─ Eu quero ser sua amiga, posso?
O cachorro comemorou, mas logo se lembrou dos outros animais.
─ O porco, a galinha, o macaco, a gatinha e o pato me deram conselhos para que eu atraísse amigos, mas...
A coruja estranhou.
─ Por que você apenas não pediu para que eles fossem seus amigos?...
─ É, por que não pensei nisso antes?...
Então, Dog conversou com os animais, convidando-os para serem amigos. Aí, ele resolveu dar a Festa da Amizade!
E, no dia da festa, quem leu, cozinhou, contou histórias, dançou e recitou poesias foi a Dona Coruja!...
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Diário de Sherazade VI
Querido diário,
Hoje, contei uma história sobre a dona Árvore para uma turma do 3º ano. Gostei muito da experiência, pois houve muita interação por parte das crianças.
De fato, todos participaram muito da história. Elas imitaram animais que eu introduzi na narrativa de propósito. Teve cachorro, gato, cavalo, galo, macaco... Parecia uma sinfonia do zoológico. Rsrsrs!
As crianças adoraram e se divertiram bastante!...
No começo, eu ficava insegura com as chamadas intromissões, que são, na verdade, participações. Isso acontecia porque eu praticamente decorava toda a história (tenho boa memória). Então, quando uma criança participava espontaneamente, eu ficava meio perdida para lhe dar atenção sem perder o fluxo narrativo.
Essas experiências me fizeram reconhecer o valor das participações e passei até a programá-las para enriquecer a contação.
Conforme esclareci, eu mesma introduzi os animais na história, pois detectei uma brechinha para isso na parte em que se tratava de besouros, abelhas... Faço isso sem nenhum problema, pois me considero, como contadora de histórias, uma coautora dos contos que escolho!
Às vezes, a experiência de não contar a história, em suas minúcias, gera uma ansiedade em mim. Sinto-me transgredindo um roteirinho. Parece paradoxal. Introduzo elementos na história com naturalidade, mas omitir palavras, expressões ou detalhes me causa angústia.
Hoje, gaguejei numa palavra. Isso me deixa triste, pois parece que fica evidente uma fragilidade minha ou parece que por um momento se quebra o encantamento da história.
Será que estou sendo muito exigente comigo mesma?...
Em uma oficina de contação de histórias, minha professora esclareceu que só preciso saber os fatos principais da narrativa e o restante pode ficar por minha conta. Essa orientação também está em um livro que estou lendo.
Preciso relaxar e curtir mais a dança das palavras e o ritmo dos gestos que a história evoca.
Quero fazer isso com cada vez mais desenvoltura!
Hoje, contei uma história sobre a dona Árvore para uma turma do 3º ano. Gostei muito da experiência, pois houve muita interação por parte das crianças.
De fato, todos participaram muito da história. Elas imitaram animais que eu introduzi na narrativa de propósito. Teve cachorro, gato, cavalo, galo, macaco... Parecia uma sinfonia do zoológico. Rsrsrs!
As crianças adoraram e se divertiram bastante!...
No começo, eu ficava insegura com as chamadas intromissões, que são, na verdade, participações. Isso acontecia porque eu praticamente decorava toda a história (tenho boa memória). Então, quando uma criança participava espontaneamente, eu ficava meio perdida para lhe dar atenção sem perder o fluxo narrativo.
Essas experiências me fizeram reconhecer o valor das participações e passei até a programá-las para enriquecer a contação.
Conforme esclareci, eu mesma introduzi os animais na história, pois detectei uma brechinha para isso na parte em que se tratava de besouros, abelhas... Faço isso sem nenhum problema, pois me considero, como contadora de histórias, uma coautora dos contos que escolho!
Às vezes, a experiência de não contar a história, em suas minúcias, gera uma ansiedade em mim. Sinto-me transgredindo um roteirinho. Parece paradoxal. Introduzo elementos na história com naturalidade, mas omitir palavras, expressões ou detalhes me causa angústia.
Hoje, gaguejei numa palavra. Isso me deixa triste, pois parece que fica evidente uma fragilidade minha ou parece que por um momento se quebra o encantamento da história.
Será que estou sendo muito exigente comigo mesma?...
Em uma oficina de contação de histórias, minha professora esclareceu que só preciso saber os fatos principais da narrativa e o restante pode ficar por minha conta. Essa orientação também está em um livro que estou lendo.
Preciso relaxar e curtir mais a dança das palavras e o ritmo dos gestos que a história evoca.
Quero fazer isso com cada vez mais desenvoltura!
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Kate Lúcia Portela no ABZ do Ziraldo
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