Contar histórias é uma arte cada vez mais incentivada nas escolas, hospitais, templos religiosos, livrarias...
O boom dessa atividade no mundo moderno se deve muito à atual tendência de valorização da leitura e do singelo olho no olho, que aproxima as pessoas. Estudiosos afirmam que se trata de uma reação ao ritmo frenético do mundo atual, em que o contato entre as pessoas escasseou.
Deste modo, o ressurgimento da contação de histórias está ligado ao contexto do culto à tecnologia, ao imediatismo, ao superficialismo, bem como à tendência às relações humanas descartáveis. Isso porque a narração de histórias é um maravilhoso convite ao ouvir, ao escutar o outro e à consequente socialização das pessoas.
Pesquisadores como Regina Machado (2004) vêm enumerando os benefícios da prática de narração de histórias, como a possibilidade de “virar o olho”, de braços dados com a imaginação e fantasia.
De fato, essa atividade, além de contribuir eficazmente para a formação de leitores, nos proporciona (a) o contato com a diversidade cultural e étnica, (b) a valorização da literatura e tradição oral, (c) a manutenção da memória e identidade de uma sociedade, (d) o enriquecimento das experiências infantis por meio de uma pedagogia do imaginário, (e) o encantamento e a sensibilização dos ouvintes, (f) o alimento da alma, (g) o resgate de significados para a nossa existência, (h) a troca de afetividade, (i) a ampliação da capacidade de escuta e reflexão, (j) o desenvolvimento da criatividade.
Há também ganhos mais específicos, como a ampliação do vocabulário, o contato com o esquema narrativo das histórias, a valorização da língua portuguesa em sua modalidade escrita e em sua modalidade oral.
A contação de histórias não deve ter cara de aula. Segundo Fanny Abramovich (1995) ela é o ponto de partida para o desenhar, o musicar, o teatralizar, o brincar, o inventar, pois tudo pode nascer de um texto.
Na escola, as crianças fazem dobraduras, fantoches, mosaicos, colagens, desenhos...
Sempre relacionados à história.
Com os contos, as crianças criam o seu próprio repertório moral e se enriquecem com a ginástica imaginativa.
A contação de histórias é, por vezes, o Livro Vivo!...
Brincar e se envolver com a contação de histórias representa um treino para a criança aprender a lidar com a realidade. As histórias não são uma fuga, são um ensaio.
Atualmente, os contadores de histórias são valorizados e requisitados, por conta do calor humano e da afetividade que evocam e que a tecnologia não nos proporciona.
Os contos apresentam um caráter terapêutico, pois encantam e curam.
Simplesmente, salvam sonhos!
Contar histórias é um ato de amor literário.
Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra!...
domingo, 1 de janeiro de 2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
O semeador de linguagens (Capítulo V)
Eu sou o velhinho do pomar.
Para mim, essa história começou quando muitos homens deixaram de usar as palavras com proveito para todos, esquecendo que elas são dadas por nosso Pai para delas fazermos um bom uso.
A árvore do conhecimento linguístico existe no coração dos homens, pois as nossas palavras devem sempre dar bons frutos na vida.
Recentemente, eu conheci o Pedrinho, um menino que havia engolido as palavras.
Sua família mudou após a reconciliação dos pais, que descobriram o fantástico poder do diálogo.
Mas apenas senti que eu havia cumprido a minha missão com a família do Pedrinho quando ouvi uma mesma frase sendo pronunciada pelo pai, pela mãe e pelo filho:
“― Eu amo você!...”
Plantemos o Bem!...
Para mim, essa história começou quando muitos homens deixaram de usar as palavras com proveito para todos, esquecendo que elas são dadas por nosso Pai para delas fazermos um bom uso.
A árvore do conhecimento linguístico existe no coração dos homens, pois as nossas palavras devem sempre dar bons frutos na vida.
Recentemente, eu conheci o Pedrinho, um menino que havia engolido as palavras.
Sua família mudou após a reconciliação dos pais, que descobriram o fantástico poder do diálogo.
Mas apenas senti que eu havia cumprido a minha missão com a família do Pedrinho quando ouvi uma mesma frase sendo pronunciada pelo pai, pela mãe e pelo filho:
“― Eu amo você!...”
Plantemos o Bem!...
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O semeador de linguagens (Capítulo IV)
Nós somos os amigos do Pedrinho.
Para nós, essa história começou quando ele nos convidou para comemorar a reconciliação de seus pais com uma divertida festa em seu lar.
Quando chegamos a sua casa, ficamos brincando no quintal. Corremos e pulamos tanto que acabamos com sede. Aí, o Pedrinho resolveu buscar água para nós na cozinha e, enquanto isso, a gente teve a ideia de comer uma fruta, pois havia ali um pé carregado e todo colorido que, aliás, nunca tínhamos visto.
Pedrinho pareceu apreensivo ao notar que estávamos nos alimentando das frutinhas deliciosas, mas não nos disse nada.
Durante a festa, alguns amigos dos pais do Pedrinho endereçaram palavras de incentivo ao casal, e nós quisemos participar da atividade.
O primeiro de nós se levantou.
― Vós deveis superar os escolhos, acreditando na magia dos ósculos e amplexos fagueiros, pois o Amor é um excelso preceptor na pândega jornada do matrimônio!...
O segundo de nós se levantou.
― Escutem seu coração: afinem a intuição, namorem a união, apurem a emoção, capturem a razão, iluminem a inspiração, abracem o perdão, pesquem a lição, venerem a compreensão, busquem a transformação!...
O terceiro de nós se levantou.
― Desejo que nunca faltem pra vocês a magia dos sons da vida: Smack! Clap! Click! Nhac, nhec, nhoc! Din don! Chuá, chuá! Tic tac! Trim, trim! Bah! Blam, blam! Bzzzzzz! Psst! Puf! Zum! Buá, buá! Au, au! Atchim! Miau! Humf!
Os pais do Pedrinho expressavam um tom de espanto no semblante, os convidados estavam profundamente silenciosos e Pedrinho tinha ares de preocupação.
― Pai, mãe, pessoal, eu posso explicar...
Mas, antes que Pedrinho concluísse sua frase, ouviram-se palmas acaloradas. Aí, nós ficamos orgulhosos de nosso desempenho.
― Viva o amor, vivam o amor!... ― gritamos entusiasmados.
Naquele dia, nós nos sentimos mais do que amigos de Pedrinho, nós nos sentimos membros de sua família.
Para nós, essa história começou quando ele nos convidou para comemorar a reconciliação de seus pais com uma divertida festa em seu lar.
Quando chegamos a sua casa, ficamos brincando no quintal. Corremos e pulamos tanto que acabamos com sede. Aí, o Pedrinho resolveu buscar água para nós na cozinha e, enquanto isso, a gente teve a ideia de comer uma fruta, pois havia ali um pé carregado e todo colorido que, aliás, nunca tínhamos visto.
Pedrinho pareceu apreensivo ao notar que estávamos nos alimentando das frutinhas deliciosas, mas não nos disse nada.
Durante a festa, alguns amigos dos pais do Pedrinho endereçaram palavras de incentivo ao casal, e nós quisemos participar da atividade.
O primeiro de nós se levantou.
― Vós deveis superar os escolhos, acreditando na magia dos ósculos e amplexos fagueiros, pois o Amor é um excelso preceptor na pândega jornada do matrimônio!...
O segundo de nós se levantou.
― Escutem seu coração: afinem a intuição, namorem a união, apurem a emoção, capturem a razão, iluminem a inspiração, abracem o perdão, pesquem a lição, venerem a compreensão, busquem a transformação!...
O terceiro de nós se levantou.
― Desejo que nunca faltem pra vocês a magia dos sons da vida: Smack! Clap! Click! Nhac, nhec, nhoc! Din don! Chuá, chuá! Tic tac! Trim, trim! Bah! Blam, blam! Bzzzzzz! Psst! Puf! Zum! Buá, buá! Au, au! Atchim! Miau! Humf!
Os pais do Pedrinho expressavam um tom de espanto no semblante, os convidados estavam profundamente silenciosos e Pedrinho tinha ares de preocupação.
― Pai, mãe, pessoal, eu posso explicar...
Mas, antes que Pedrinho concluísse sua frase, ouviram-se palmas acaloradas. Aí, nós ficamos orgulhosos de nosso desempenho.
― Viva o amor, vivam o amor!... ― gritamos entusiasmados.
Naquele dia, nós nos sentimos mais do que amigos de Pedrinho, nós nos sentimos membros de sua família.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O Semeador de Linguagens (Capítulo III)
Eu sou o filho.
Para mim, essa história começou quando conheci o Velhinho do Pomar, pois, neste instante, eu compreendi que a vida é um presente de Deus.
Eu estava passeando entre as árvores de um belo pomar, próximo à casa de campo de uma amiga de minha mãe, quando apareceu um velhinho muito simpático.
― Rapazinho, você precisa ver a árvore do conhecimento linguístico!...
Eu não articulei nenhuma palavra, mas ele parecia ler meus pensamentos.
― Não se preocupe, você vai me entender. Venha comigo!...
Acompanhei o ancião. Em pouco tempo, estávamos diante de uma frondosa árvore, cujos frutos tinham cores diferentes.
Fiquei maravilhado.
Ele colheu uma fruta do pé e a ofereceu para mim.
Eu nunca havia saboreado uma fruta tão suculenta, capaz até de desmanchar na boca, com um perfume que duplicava o prazer de degustá-la.
Então, minha boca se encheu de palavras.
― Obrigado! Nem sei como agradecer a você por me trazer até a árvore do conhecimento linguístico e...
De repente, me dei conta do grande acontecimento.
― Ei, eu, eu estou falando!...
Pulei de alegria.
― Agora, o papai vai voltar para casa!...
O Velhinho do Pomar fitou-me enternecido.
― Seus pais não fizeram um bom uso das palavras, e isso foi o que mais os distanciou e desestruturou sua família...
Eu estava atento a cada frase do meu amigo.
― Leve essas sementes e plante-as no quintal de sua casa, está bem?
Recebi um saquinho com sementes coloridas. Apanhei um punhado na mão e fiquei admirando-as cheio de encantamento. Quando dei por mim, o ancião havia desaparecido misteriosamente.
Corri para casa.
Minha mãe ficou emocionada quando me viu.
― Quero voltar para casa, para nosso lar, mamãe!
Regressamos no dia seguinte.
Contudo, descobrimos que o papai tinha viajado para outro país, havendo deixado apenas uma mensagem na secretária eletrônica.
Plantei as sementes da árvore do conhecimento linguístico no quintal de minha casa e fiquei surpreso ao observar que ela crescia muito rapidamente, até que começou a dar frutos.
Então, papai voltou de viagem.
― Papai!...
Ele ficou comovido.
― Pedrinho, meu filho!...
Nunca tinha visto papai chorar, nunca tinha visto mamãe chorar.
― Vocês dois precisam conversar...
Pronto, acabei falando o que eu queria.
Meus pais concordaram comigo.
Resolvi ir para o meu quarto, pois eu queria fazer uma oração por minha família.
Após certo tempo, voltei à sala, mas meus pais estavam conversando no quintal, bem próximos à árvore do conhecimento linguístico, de modo que pude ouvir um trecho de seu diálogo. Papai e mamãe falavam como se um completasse o outro.
― ... Eu sei que eu fui egoísta, por isso ...
― ... Cometi muitos erros mas...
― ... eu preciso do uma nova chance, já que agora...
― ... me transformei interiormente, e...
― ... eu acredito que possamos ser felizes, sempre...
― ... estarei me esforçando para que vivamos em paz!...
Fiquei intrigado com o fenômeno linguístico.
Será que eles teriam provado o fruto da árvore das linguagens?...
Eu não estava nem acreditando que meus pais decidiram ficar juntos novamente. Precisava dar a maravilhosa notícia aos meus amigos...
Para mim, essa história começou quando conheci o Velhinho do Pomar, pois, neste instante, eu compreendi que a vida é um presente de Deus.
Eu estava passeando entre as árvores de um belo pomar, próximo à casa de campo de uma amiga de minha mãe, quando apareceu um velhinho muito simpático.
― Rapazinho, você precisa ver a árvore do conhecimento linguístico!...
Eu não articulei nenhuma palavra, mas ele parecia ler meus pensamentos.
― Não se preocupe, você vai me entender. Venha comigo!...
Acompanhei o ancião. Em pouco tempo, estávamos diante de uma frondosa árvore, cujos frutos tinham cores diferentes.
Fiquei maravilhado.
Ele colheu uma fruta do pé e a ofereceu para mim.
Eu nunca havia saboreado uma fruta tão suculenta, capaz até de desmanchar na boca, com um perfume que duplicava o prazer de degustá-la.
Então, minha boca se encheu de palavras.
― Obrigado! Nem sei como agradecer a você por me trazer até a árvore do conhecimento linguístico e...
De repente, me dei conta do grande acontecimento.
― Ei, eu, eu estou falando!...
Pulei de alegria.
― Agora, o papai vai voltar para casa!...
O Velhinho do Pomar fitou-me enternecido.
― Seus pais não fizeram um bom uso das palavras, e isso foi o que mais os distanciou e desestruturou sua família...
Eu estava atento a cada frase do meu amigo.
― Leve essas sementes e plante-as no quintal de sua casa, está bem?
Recebi um saquinho com sementes coloridas. Apanhei um punhado na mão e fiquei admirando-as cheio de encantamento. Quando dei por mim, o ancião havia desaparecido misteriosamente.
Corri para casa.
Minha mãe ficou emocionada quando me viu.
― Quero voltar para casa, para nosso lar, mamãe!
Regressamos no dia seguinte.
Contudo, descobrimos que o papai tinha viajado para outro país, havendo deixado apenas uma mensagem na secretária eletrônica.
Plantei as sementes da árvore do conhecimento linguístico no quintal de minha casa e fiquei surpreso ao observar que ela crescia muito rapidamente, até que começou a dar frutos.
Então, papai voltou de viagem.
― Papai!...
Ele ficou comovido.
― Pedrinho, meu filho!...
Nunca tinha visto papai chorar, nunca tinha visto mamãe chorar.
― Vocês dois precisam conversar...
Pronto, acabei falando o que eu queria.
Meus pais concordaram comigo.
Resolvi ir para o meu quarto, pois eu queria fazer uma oração por minha família.
Após certo tempo, voltei à sala, mas meus pais estavam conversando no quintal, bem próximos à árvore do conhecimento linguístico, de modo que pude ouvir um trecho de seu diálogo. Papai e mamãe falavam como se um completasse o outro.
― ... Eu sei que eu fui egoísta, por isso ...
― ... Cometi muitos erros mas...
― ... eu preciso do uma nova chance, já que agora...
― ... me transformei interiormente, e...
― ... eu acredito que possamos ser felizes, sempre...
― ... estarei me esforçando para que vivamos em paz!...
Fiquei intrigado com o fenômeno linguístico.
Será que eles teriam provado o fruto da árvore das linguagens?...
Eu não estava nem acreditando que meus pais decidiram ficar juntos novamente. Precisava dar a maravilhosa notícia aos meus amigos...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
O semeador de linguagens (Capítulo II)
Eu sou a mãe.
Para mim, essa história começou quando eu e meu filho fomos abandonados por quem mais amávamos, pois até então tínhamos esperanças de reconquistar nosso amado nem que fosse apenas em uma singela manhã de natal.
Nós sofremos juntos quando vimos um homem bom e meigo se iludir com o poder, com a posse de bens materiais, com pessoas interesseiras.
Eu tentava mostrar ao meu marido que aquele não era um bom caminho, mas ele me desrespeitava e ficava agressivo, de modo que eu, em muitas ocasiões, me calava para não piorar a situação até que cheguei ao meu limite e passei a revidar as suas ofensas.
Neste ponto da história, meu filho começou a tentar uma reconciliação entre nós, pois as nossas brigas se tornaram constantes.
Até que o pior aconteceu: um dia, eu gritei com meu marido, meu marido gritou com nosso filho, nosso filho transformou os gritos em um Bicho Assustador e o Silêncio passou a tomar conta de nosso menino para nós.
Meu marido não teve maturidade para enfrentar a situação conosco e resolveu sair de casa, se sentindo o único responsável pelo fato de nosso filho nunca mais ter falado uma única palavra.
Mas, na verdade, eu tive a mesma vontade de gritar com meu filho e, se não o fiz, foi porque o pai se adiantou. Portanto, nós dois falhamos com nossa criança, pois amor significa paciência e carinho.
Por essa razão, eu busquei uma transformação íntima com a ajuda do terapeuta do meu filho, busquei acender uma luz nas trevas do sofrimento, busquei um pouco de paz interior, busquei me tornar uma pessoa melhor, busquei reencontrar minha essência divina.
Então, resolvi viajar com meu filho para a casa de campo de uma amiga.
Lá, eu e meu filho cuidávamos de uma pequena horta no quintal, tomávamos banho de piscina, assistíamos a filmes sentados em frente à lareira, adormecíamos na rede e, em todos esses momentos, sentíamos saudades de nosso amado.
Até que um dia, aconteceu algo mágico.
Eu estava preparando sacolés de frutas (picolés no saquinho) para meu filho, quando ouvi seus gritos, vindos do quintal.
― Manhê! Cadê você, mãe?...
Não consigo descrever minha emoção ao ouvir novamente a voz de meu filhinho.
Eu simplesmente fiquei sem palavras.
Para mim, essa história começou quando eu e meu filho fomos abandonados por quem mais amávamos, pois até então tínhamos esperanças de reconquistar nosso amado nem que fosse apenas em uma singela manhã de natal.
Nós sofremos juntos quando vimos um homem bom e meigo se iludir com o poder, com a posse de bens materiais, com pessoas interesseiras.
Eu tentava mostrar ao meu marido que aquele não era um bom caminho, mas ele me desrespeitava e ficava agressivo, de modo que eu, em muitas ocasiões, me calava para não piorar a situação até que cheguei ao meu limite e passei a revidar as suas ofensas.
Neste ponto da história, meu filho começou a tentar uma reconciliação entre nós, pois as nossas brigas se tornaram constantes.
Até que o pior aconteceu: um dia, eu gritei com meu marido, meu marido gritou com nosso filho, nosso filho transformou os gritos em um Bicho Assustador e o Silêncio passou a tomar conta de nosso menino para nós.
Meu marido não teve maturidade para enfrentar a situação conosco e resolveu sair de casa, se sentindo o único responsável pelo fato de nosso filho nunca mais ter falado uma única palavra.
Mas, na verdade, eu tive a mesma vontade de gritar com meu filho e, se não o fiz, foi porque o pai se adiantou. Portanto, nós dois falhamos com nossa criança, pois amor significa paciência e carinho.
Por essa razão, eu busquei uma transformação íntima com a ajuda do terapeuta do meu filho, busquei acender uma luz nas trevas do sofrimento, busquei um pouco de paz interior, busquei me tornar uma pessoa melhor, busquei reencontrar minha essência divina.
Então, resolvi viajar com meu filho para a casa de campo de uma amiga.
Lá, eu e meu filho cuidávamos de uma pequena horta no quintal, tomávamos banho de piscina, assistíamos a filmes sentados em frente à lareira, adormecíamos na rede e, em todos esses momentos, sentíamos saudades de nosso amado.
Até que um dia, aconteceu algo mágico.
Eu estava preparando sacolés de frutas (picolés no saquinho) para meu filho, quando ouvi seus gritos, vindos do quintal.
― Manhê! Cadê você, mãe?...
Não consigo descrever minha emoção ao ouvir novamente a voz de meu filhinho.
Eu simplesmente fiquei sem palavras.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O semeador de linguagens (Capítulo I)
Eu sou o pai.
Para mim, essa história começou quando me tornei um mau pai, quando deixei de dar atenção ao meu filho, quando deixei de preparar o seu chocolate quente, quando deixei de ajudá-lo nas lições de casa, quando deixei de contar histórias para ele, quando deixei de jogar bola com ele, quando deixei de repreender suas más ações, quando deixei de tocar violão para ele. Enfim, quando deixei de expressar o meu amor.
Eu havia recebido uma promoção no trabalho e me tornei o braço direito do meu patrão. De uma maneira mágica e fascinante, eu passei a ser valorizado pelos meus colegas. As funcionárias me elogiavam até me deixarem lisonjeado. Minha secretária me devotava uma atenção especial. Eu passei a ser o destaque nas reuniões da empresa. Meu chefe acatava todas as minhas sugestões, de modo que eu ganhei uma nova família.
Eu já não queria nem voltar para casa.
Então, eu me casei com meu trabalho.
Minha esposa não gostou desse meu novo casamento e passei a brigar muito com ela, mas o que me tirava do sério era meu filho sempre tentando uma reconciliação entre nós.
Até que um dia eu perdi a cabeça. Meu filho acompanhava uma discussão nossa, que realmente estava ultrapassando os limites do respeito mútuo. Houve uma hora em que minha esposa, cansada de meus xingamentos, gritou comigo, e nosso filho não aguentou a barra.
Ele começou a chorar, e chorava, e chorava.
Eu não suportava mais.
― Fica quieto, Pedrinho!!! ― gritei.
Meu filho engoliu o choro com um pavor comovente.
― Eu não quero ouvir a sua voz nunca mais, nunca mais! ― berrei.
A partir desse dia, meu filho engoliu as palavras.
Ele ficou mudo de tal maneira, que nem psicólogo deu jeito.
Minha esposa não me culpou, mas eu me culpei.
Então, eu saí de casa, eu resolvi sair da história por uns tempos.
Para mim, essa história começou quando me tornei um mau pai, quando deixei de dar atenção ao meu filho, quando deixei de preparar o seu chocolate quente, quando deixei de ajudá-lo nas lições de casa, quando deixei de contar histórias para ele, quando deixei de jogar bola com ele, quando deixei de repreender suas más ações, quando deixei de tocar violão para ele. Enfim, quando deixei de expressar o meu amor.
Eu havia recebido uma promoção no trabalho e me tornei o braço direito do meu patrão. De uma maneira mágica e fascinante, eu passei a ser valorizado pelos meus colegas. As funcionárias me elogiavam até me deixarem lisonjeado. Minha secretária me devotava uma atenção especial. Eu passei a ser o destaque nas reuniões da empresa. Meu chefe acatava todas as minhas sugestões, de modo que eu ganhei uma nova família.
Eu já não queria nem voltar para casa.
Então, eu me casei com meu trabalho.
Minha esposa não gostou desse meu novo casamento e passei a brigar muito com ela, mas o que me tirava do sério era meu filho sempre tentando uma reconciliação entre nós.
Até que um dia eu perdi a cabeça. Meu filho acompanhava uma discussão nossa, que realmente estava ultrapassando os limites do respeito mútuo. Houve uma hora em que minha esposa, cansada de meus xingamentos, gritou comigo, e nosso filho não aguentou a barra.
Ele começou a chorar, e chorava, e chorava.
Eu não suportava mais.
― Fica quieto, Pedrinho!!! ― gritei.
Meu filho engoliu o choro com um pavor comovente.
― Eu não quero ouvir a sua voz nunca mais, nunca mais! ― berrei.
A partir desse dia, meu filho engoliu as palavras.
Ele ficou mudo de tal maneira, que nem psicólogo deu jeito.
Minha esposa não me culpou, mas eu me culpei.
Então, eu saí de casa, eu resolvi sair da história por uns tempos.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Crônica 'O Carioquinha' produzida por ocasião do Projeto 'Paixão de Ler' (Kate Lúcia Portela)
Hoje, estive refletindo sobre festas de aniversário infantis...
Como são encantadoras, com direito a bolo, docinhos, salgadinhos, pipoca, maçã do amor, refrigerante e bolas, línguas de sogra... as crianças fazem a festa!...
Até me lembrei de um dia, na minha infância, em que recebi o convite para a festa de aniversário de um menino cujo apelido era ‘Carioquinha’.
Parece que eu estou ouvindo aquela música, aquelas palmas: “Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!”
Eu me recordo do momento em que o Carioquinha tinha que fazer um pedido antes de soprar a velhinha.
Ele fechou os olhos, fez um pedido, encheu os pulmões de ar e...
Mudou de ideia, queria pedir outra coisa.
O que será que ele ia pedir, o que vocês acham?
Uma bicicleta? Um vídeo game? Uma bola?
Não sei...
Só sei que nessa hora, os convidados cantaram outra melodia: “É big, é big, é big, é big, é big, é hora, é hora, é hora, é hora, é hora, Ra, Ti, Bum: Carioquinha, Carioquinha!”
O Carioquinha não desistiu de soprar a velinha .
Ele fechou os olhos, fez um pedido, encheu os pulmões de ar e...
Mudou de ideia, queria pedir outra coisa.
O que será que ele ia pedir, o que vocês acham?
Bolinhas de gude? Bolinhas de sabão? Um patinete?
Não sei...
Só sei que os convidados cantaram outra música: “Com quem será, com quem será, com quem será que o Carioquinha vai casar, vai depender, vai depender, vai depender se a Maria vai querer!”
O Carioquinha queria soprar a velinha, dessa vez pra valer.
Ele fechou os olhos e fez o seu pedido, dessa vez pra valer:
Que os cariocas possam curtir as praias, sem que haja poluição.
Que os cariocas possam curtir o carnaval, sem que haja violência.
Que os cariocas possam curtir o Pão de Açúcar, sem que haja fome.
Que os cariocas possam curtir a Quinta da Boa Vista, sem que haja a extinção de animais.
Que os cariocas possam curtir o Cristo Redentor, sem que haja os preconceitos de todo gênero.
Finalmente, o Carioquinha soprou a velinha!
Que todos os seus desejos se realizem!...
Viva o Rio de Janeiro!
Como são encantadoras, com direito a bolo, docinhos, salgadinhos, pipoca, maçã do amor, refrigerante e bolas, línguas de sogra... as crianças fazem a festa!...
Até me lembrei de um dia, na minha infância, em que recebi o convite para a festa de aniversário de um menino cujo apelido era ‘Carioquinha’.
Parece que eu estou ouvindo aquela música, aquelas palmas: “Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!”
Eu me recordo do momento em que o Carioquinha tinha que fazer um pedido antes de soprar a velhinha.
Ele fechou os olhos, fez um pedido, encheu os pulmões de ar e...
Mudou de ideia, queria pedir outra coisa.
O que será que ele ia pedir, o que vocês acham?
Uma bicicleta? Um vídeo game? Uma bola?
Não sei...
Só sei que nessa hora, os convidados cantaram outra melodia: “É big, é big, é big, é big, é big, é hora, é hora, é hora, é hora, é hora, Ra, Ti, Bum: Carioquinha, Carioquinha!”
O Carioquinha não desistiu de soprar a velinha .
Ele fechou os olhos, fez um pedido, encheu os pulmões de ar e...
Mudou de ideia, queria pedir outra coisa.
O que será que ele ia pedir, o que vocês acham?
Bolinhas de gude? Bolinhas de sabão? Um patinete?
Não sei...
Só sei que os convidados cantaram outra música: “Com quem será, com quem será, com quem será que o Carioquinha vai casar, vai depender, vai depender, vai depender se a Maria vai querer!”
O Carioquinha queria soprar a velinha, dessa vez pra valer.
Ele fechou os olhos e fez o seu pedido, dessa vez pra valer:
Que os cariocas possam curtir as praias, sem que haja poluição.
Que os cariocas possam curtir o carnaval, sem que haja violência.
Que os cariocas possam curtir o Pão de Açúcar, sem que haja fome.
Que os cariocas possam curtir a Quinta da Boa Vista, sem que haja a extinção de animais.
Que os cariocas possam curtir o Cristo Redentor, sem que haja os preconceitos de todo gênero.
Finalmente, o Carioquinha soprou a velinha!
Que todos os seus desejos se realizem!...
Viva o Rio de Janeiro!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O circo da infância (Kate Lúcia Portela)
Respeitável público:
Era uma vez um palhaço.
Era uma vez outro palhaço.
Um era o Bolinha, o outro era o Varetinha.
Eles gostavam de brincar, brincar e brincar...
Faziam caretas mágicas:
FAAAA! LEEEEE! MIIII! BOOOO! ZUUUU!
Faziam malabarismos com as palavras:
ES-FRAM - BÚ-TI - COS! CA- LUS- FA- TI - LEX! PRO - MER- CLA- GI- A- NO!
Faziam coreografias com as cores:
A-M-A-R-E-L-O-A-Z-U-L-R-O-S-A-V-E-R-M-E-L-H-O-V-E-R-D-E...
Faziam mímicas de animais:
Cocoricó, Muuuuu, Ihiiii!
Um dia, algumas crianças pediram um presente para o Bolinha e o Varetinha.
Mas... que presente dar?
Os palhaços pensaram, pensaram, pensaram...
Então, resolveram lhes dar pedacinhos de infância!
Deram uma bola de meia...
Deram um chapéu de papel...
Deram uma peteca de jornal...
Deram um telefone sem fio...
Deram uma pipa...
Deram bolinhas de sabão...
Deram uma corda...
Deram um bambolê...
Deram um cata-vento...
Deram bolinhas de gude...
Deram um pião...
E resolveram se dar para as crianças!...
E por inteiro!
Marcharam!
Bateram palmas!
Assobiaram!
Fizeram uma pombinha com as mãos!
Piscaram o olho!
Soluçaram!
Apertaram as mãos!
Deram joia com os dedinhos!
Fizeram uma cobrinha com as mãos!
Jogaram beijos!
Desafinaram!
Estalaram os dedos!
As crianças adoraram os presentes e deram parlendas aos palhaços, como forma de retribuir o carinho:
Os primeiros versinhos encantaram os palhacinhos:
‘Batatinha quando nasce
Se esparrama pelo chão
A menina quando dorme
Põe a mão no coração’
E elas recitaram outra parlenda com sabor de magia:
‘Chuva e sol
Casamento de espanhol
Sol e chuva
Casamento de viúva’
Mas a preferida das crianças elas deixaram para o final:
‘Cadê o toucinho que estava aqui?
O gato comeu. Cadê o gato?
Fugiu pro mato. Cadê o mato?
O fogo queimou. Cadê o fogo?
A água apagou. Cadê a água?
O boi bebeu. Cadê o boi?
Está amassando trigo. Cadê o trigo?
A galinha espalhou. Cadê a galinha?
Está botando ovo. Cadê o ovo?
ESTÁ AQUI!’
Aí, os palhacinhos entraram na brincadeira e recitaram outra parlenda:
‘Era uma vez uma bruxa.
À meia-noite.
Em um castelo mal-assombrado.
Com uma faca na mão.
Pra passar manteiga no pão!’
Após tantas e tantas brincadeiras, estava armado o circo:
O circo da infância!
Esse espetáculo é um presente e ninguém pode perder!...
Era uma vez um palhaço.
Era uma vez outro palhaço.
Um era o Bolinha, o outro era o Varetinha.
Eles gostavam de brincar, brincar e brincar...
Faziam caretas mágicas:
FAAAA! LEEEEE! MIIII! BOOOO! ZUUUU!
Faziam malabarismos com as palavras:
ES-FRAM - BÚ-TI - COS! CA- LUS- FA- TI - LEX! PRO - MER- CLA- GI- A- NO!
Faziam coreografias com as cores:
A-M-A-R-E-L-O-A-Z-U-L-R-O-S-A-V-E-R-M-E-L-H-O-V-E-R-D-E...
Faziam mímicas de animais:
Cocoricó, Muuuuu, Ihiiii!
Um dia, algumas crianças pediram um presente para o Bolinha e o Varetinha.
Mas... que presente dar?
Os palhaços pensaram, pensaram, pensaram...
Então, resolveram lhes dar pedacinhos de infância!
Deram uma bola de meia...
Deram um chapéu de papel...
Deram uma peteca de jornal...
Deram um telefone sem fio...
Deram uma pipa...
Deram bolinhas de sabão...
Deram uma corda...
Deram um bambolê...
Deram um cata-vento...
Deram bolinhas de gude...
Deram um pião...
E resolveram se dar para as crianças!...
E por inteiro!
Marcharam!
Bateram palmas!
Assobiaram!
Fizeram uma pombinha com as mãos!
Piscaram o olho!
Soluçaram!
Apertaram as mãos!
Deram joia com os dedinhos!
Fizeram uma cobrinha com as mãos!
Jogaram beijos!
Desafinaram!
Estalaram os dedos!
As crianças adoraram os presentes e deram parlendas aos palhaços, como forma de retribuir o carinho:
Os primeiros versinhos encantaram os palhacinhos:
‘Batatinha quando nasce
Se esparrama pelo chão
A menina quando dorme
Põe a mão no coração’
E elas recitaram outra parlenda com sabor de magia:
‘Chuva e sol
Casamento de espanhol
Sol e chuva
Casamento de viúva’
Mas a preferida das crianças elas deixaram para o final:
‘Cadê o toucinho que estava aqui?
O gato comeu. Cadê o gato?
Fugiu pro mato. Cadê o mato?
O fogo queimou. Cadê o fogo?
A água apagou. Cadê a água?
O boi bebeu. Cadê o boi?
Está amassando trigo. Cadê o trigo?
A galinha espalhou. Cadê a galinha?
Está botando ovo. Cadê o ovo?
ESTÁ AQUI!’
Aí, os palhacinhos entraram na brincadeira e recitaram outra parlenda:
‘Era uma vez uma bruxa.
À meia-noite.
Em um castelo mal-assombrado.
Com uma faca na mão.
Pra passar manteiga no pão!’
Após tantas e tantas brincadeiras, estava armado o circo:
O circo da infância!
Esse espetáculo é um presente e ninguém pode perder!...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Outro cravo, outra rosa (Kate Lúcia Portela)
“Era uma vez uma menina. Ela tinha um amigo. Tinha, não tem mais. Eles brigaram: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido. E a rosa despedaçada. O cravo ficou doente. A rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio. E a rosa pôs-se a chorar.”
No princípio, a menina nem ligou. Afinal, ela tinha muitas amigas. E, com elas, adorava brincar de pular corda: “Um homem bateu em minha porta e eu abri. Senhoras e senhores, ponha (sic) a mão no chão. Senhoras e senhores, pule (sic) num pé só. Senhoras e senhores, dê (sic) uma rodadinha e vão pro olho da rua.”
Mas, com o passar do tempo, a menina começou a sentir saudades do amigo. Então, resolveu visitá-lo. No caminho, encontrou um sapo, que nem era príncipe: “O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer, mas que chulé!”
Aí, a menina resolveu comprar um pirulito para dá-lo de presente ao amigo: “Pirulito que bate, bate. Pirulito que já bateu. Quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu.”
Quando comprou o pirulito, ganhou de brinde um soldadinho: “Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional.”
Caminhou muito, muito e teve que atravessar um rio com a canoa do Seu Chico: “A canoa virou. Vou deixá-la virar. Foi por causa do seu Zé que não soube remar. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o seu Zé do fundo mar.”
Até que ela finalmente chegou até a casa do amigo. Nossa, era uma casa tão diferente: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não. Porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, número zero.”
Finalmente, o menino abriu a porta. A garota o abraçou e lhe deu de presente o pirulito e o soldadinho. Ele adorou a visita, nem se lembrava mais da briga, e ofereceu um lanchinho à amiga: “Meu lanchinho, meu lanchinho vou comer, vou comer. Pra ficar fortinho, para ficar fortinho e crescer, e crescer. Meu suquinho, meu suquinho vou beber, vou beber. Pra ficar fortinho, pra ficar fortinho e crescer, e crescer.”
Eles descobriram que é muito bom quando nos alimentamos de músicas, histórias e poesia... Entrou por uma porta saiu pela outra. Quem quiser que cante outra!”
No princípio, a menina nem ligou. Afinal, ela tinha muitas amigas. E, com elas, adorava brincar de pular corda: “Um homem bateu em minha porta e eu abri. Senhoras e senhores, ponha (sic) a mão no chão. Senhoras e senhores, pule (sic) num pé só. Senhoras e senhores, dê (sic) uma rodadinha e vão pro olho da rua.”
Mas, com o passar do tempo, a menina começou a sentir saudades do amigo. Então, resolveu visitá-lo. No caminho, encontrou um sapo, que nem era príncipe: “O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer, mas que chulé!”
Aí, a menina resolveu comprar um pirulito para dá-lo de presente ao amigo: “Pirulito que bate, bate. Pirulito que já bateu. Quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu.”
Quando comprou o pirulito, ganhou de brinde um soldadinho: “Marcha soldado, cabeça de papel. Quem não marchar direito, vai preso pro quartel. O quartel pegou fogo, a polícia deu sinal. Acode, acode, acode a bandeira nacional.”
Caminhou muito, muito e teve que atravessar um rio com a canoa do Seu Chico: “A canoa virou. Vou deixá-la virar. Foi por causa do seu Zé que não soube remar. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o seu Zé do fundo mar.”
Até que ela finalmente chegou até a casa do amigo. Nossa, era uma casa tão diferente: “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não. Porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero. Na rua dos bobos, número zero.”
Finalmente, o menino abriu a porta. A garota o abraçou e lhe deu de presente o pirulito e o soldadinho. Ele adorou a visita, nem se lembrava mais da briga, e ofereceu um lanchinho à amiga: “Meu lanchinho, meu lanchinho vou comer, vou comer. Pra ficar fortinho, para ficar fortinho e crescer, e crescer. Meu suquinho, meu suquinho vou beber, vou beber. Pra ficar fortinho, pra ficar fortinho e crescer, e crescer.”
Eles descobriram que é muito bom quando nos alimentamos de músicas, histórias e poesia... Entrou por uma porta saiu pela outra. Quem quiser que cante outra!”
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