Não conheci as notas,
A mim, só restaram as moedas...
Não comi as refeições,
A mim, só restaram as migalhas...
Não fui ao teatro,
A mim, só restaram os panfletos...
Não bebi o refrigerante,
A mim, só restaram as latinhas...
Não curti o cinema,
A mim, só restaram os letreiros...
Não frequentei a escola,
A mim, só restaram papéis amassados...
Não tive emprego,
A mim, só restaram as ruas...
Mas...
A todos restou a Morte,
Que arrebata os homens sem distinção!...
quarta-feira, 27 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Diário de Sherazade II
Querido diário,
Hoje, contei uma história sobre a dona Árvore para uma turma do 3º ano. Gostei muito da experiência, pois houve muita interação por parte das crianças.
De fato, todos participaram muito da história. Elas imitaram animais que eu introduzi na narrativa de propósito. Teve cachorro, gato, cavalo, galo, macaco... Parecia uma sinfonia do zoológico. Rsrsrs!
As crianças adoraram e se divertiram bastante!...
No começo, eu ficava insegura com as chamadas intromissões, que são, na verdade, participações. Isso acontecia porque eu praticamente decorava toda a história (tenho boa memória). Então, quando uma criança participava espontaneamente, eu ficava meio perdida para lhe dar atenção sem perder o fluxo narrativo.
Essas experiências me fizeram reconhecer o valor das participações e passei até a programá-las para enriquecer a contação.
Conforme esclareci, eu mesma introduzi os animais na história, pois detectei uma brechinha para isso na parte em que se tratava de besouros, abelhas... Faço isso sem nenhum problema, pois me considero, como contadora de histórias, uma coautora dos contos que escolho, ou dos contos que me escolhem... Rsrsrs!
Às vezes, a experiência de não contar a história, em suas minúcias, gera uma ansiedade em mim. Sinto-me transgredindo um roteirinho. Parece paradoxal. Introduzo elementos na história com naturalidade, mas omitir palavras, expressões ou detalhes me causa angústia.
Hoje, gaguejei numa palavra. Isso me deixa triste, pois parece que fica evidente uma fragilidade minha ou parece que por um momento se quebra o encantamento da história.
Será que estou sendo muito exigente comigo mesma?...
Em uma oficina de contação de histórias, minha professora esclareceu que só preciso saber os fatos principais da narrativa e o restante pode ficar por minha conta. Essa orientação também está em um livro que estou lendo.
Preciso relaxar e curtir mais a dança das palavras e o ritmo dos gestos que a história evoca.
Quero fazer isso com cada vez mais desenvoltura!
Hoje, contei uma história sobre a dona Árvore para uma turma do 3º ano. Gostei muito da experiência, pois houve muita interação por parte das crianças.
De fato, todos participaram muito da história. Elas imitaram animais que eu introduzi na narrativa de propósito. Teve cachorro, gato, cavalo, galo, macaco... Parecia uma sinfonia do zoológico. Rsrsrs!
As crianças adoraram e se divertiram bastante!...
No começo, eu ficava insegura com as chamadas intromissões, que são, na verdade, participações. Isso acontecia porque eu praticamente decorava toda a história (tenho boa memória). Então, quando uma criança participava espontaneamente, eu ficava meio perdida para lhe dar atenção sem perder o fluxo narrativo.
Essas experiências me fizeram reconhecer o valor das participações e passei até a programá-las para enriquecer a contação.
Conforme esclareci, eu mesma introduzi os animais na história, pois detectei uma brechinha para isso na parte em que se tratava de besouros, abelhas... Faço isso sem nenhum problema, pois me considero, como contadora de histórias, uma coautora dos contos que escolho, ou dos contos que me escolhem... Rsrsrs!
Às vezes, a experiência de não contar a história, em suas minúcias, gera uma ansiedade em mim. Sinto-me transgredindo um roteirinho. Parece paradoxal. Introduzo elementos na história com naturalidade, mas omitir palavras, expressões ou detalhes me causa angústia.
Hoje, gaguejei numa palavra. Isso me deixa triste, pois parece que fica evidente uma fragilidade minha ou parece que por um momento se quebra o encantamento da história.
Será que estou sendo muito exigente comigo mesma?...
Em uma oficina de contação de histórias, minha professora esclareceu que só preciso saber os fatos principais da narrativa e o restante pode ficar por minha conta. Essa orientação também está em um livro que estou lendo.
Preciso relaxar e curtir mais a dança das palavras e o ritmo dos gestos que a história evoca.
Quero fazer isso com cada vez mais desenvoltura!
quinta-feira, 7 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Grãos de areia
Era uma vez um mestre que ministrava lições em verdadeiras montanhas do conhecimento. Lá, os discípulos o seguiam nas trilhas do estudo e da meditação ao ar livre.
O sol da sabedoria penetrava a alma dos discípulos, aquecendo sonhos e ideais que se desvendavam um após o outro.
As histórias do mestre eram como pássaros que posavam em seus ombros, dando asas à imaginação e fantasia de muitos.
Havia plantas de esperança embelezando a paisagem moral que o mestre descortinava com o poder de seu exemplo.
Contudo, havia pedras no caminho...
Alguns discípulos preguiçosos se recusaram a subir a montanha do conhecimento.
Eles se negavam a apreciar amplos panoramas e preferiam sua visão limitada.
Desafiaram o mestre.
Zombaram de seus ensinamentos.
Mas o mestre não se perturbou, pois sabia que uma tempestade se aproximava.
Desabou uma forte chuva, com relâmpagos e trovões.
O mestre e os outros discípulos abrigaram-se nas cavernas de seu conhecimento.
Durante o vendaval da vida, os discípulos rebeldes se acusaram mutuamente por conta das dificuldades.
Temeram.
Choraram.
Sofreram.
Até que se reinventaram ao se recordarem justamente das lições do mestre.
Então, eles começaram a cantar e dançar na chuva.
O mestre e os outros discípulos deixaram a caverna para participar da festa.
Após o ensinamento de vida, todos subiram juntos a montanha do conhecimento.
Desde então, a história do mestre tem se repetido, com variações, ao longo da vida de muitos professores, nas escolas de nosso país, onde as lições se assemelham a grãos de areia, sem os quais, sabemos, não existiriam as montanhas...
O sol da sabedoria penetrava a alma dos discípulos, aquecendo sonhos e ideais que se desvendavam um após o outro.
As histórias do mestre eram como pássaros que posavam em seus ombros, dando asas à imaginação e fantasia de muitos.
Havia plantas de esperança embelezando a paisagem moral que o mestre descortinava com o poder de seu exemplo.
Contudo, havia pedras no caminho...
Alguns discípulos preguiçosos se recusaram a subir a montanha do conhecimento.
Eles se negavam a apreciar amplos panoramas e preferiam sua visão limitada.
Desafiaram o mestre.
Zombaram de seus ensinamentos.
Mas o mestre não se perturbou, pois sabia que uma tempestade se aproximava.
Desabou uma forte chuva, com relâmpagos e trovões.
O mestre e os outros discípulos abrigaram-se nas cavernas de seu conhecimento.
Durante o vendaval da vida, os discípulos rebeldes se acusaram mutuamente por conta das dificuldades.
Temeram.
Choraram.
Sofreram.
Até que se reinventaram ao se recordarem justamente das lições do mestre.
Então, eles começaram a cantar e dançar na chuva.
O mestre e os outros discípulos deixaram a caverna para participar da festa.
Após o ensinamento de vida, todos subiram juntos a montanha do conhecimento.
Desde então, a história do mestre tem se repetido, com variações, ao longo da vida de muitos professores, nas escolas de nosso país, onde as lições se assemelham a grãos de areia, sem os quais, sabemos, não existiriam as montanhas...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Diário de Sherazade I
Querido diário,
Sou uma contadora de histórias.
Inspiro-me em Sherazade. Ela salvou sua própria vida com o ato de contar histórias para o sultão, que superou o trauma da traição da esposa com o poder curador dos contos.
Por isso, acredito que todos – crianças, jovens, adultos e idosos – podem curtir o encantamento que envolve as histórias, pois após mergulharmos no universo mágico das tramas, voltamos para a superfície revigorados.
Gosto mais de contar histórias para as crianças. Elas vibram durante a contação, seus olhos ficam iluminados, o sorriso espontâneo e até o estranhamento de algumas me deixa comovida.
Já tive a oportunidade de contar histórias para adultos, mas foi diferente.Bom, mas diferente. Alguns adultos abrem mão de se envolver com a história para avaliar a performance do contador. Acho que perderam o contato com sua a criança interior...
Eu conto histórias porque eu acredito na Poesia da Vida.
Creio que precisa haver um espaço para a imaginação, para o lúdico. Por isso, além das histórias, eu e as crianças sempre desenvolvemos uma atividade juntos, envolvendo pintura, colagem, massinha, dobraduras... Tudo para que as crianças exercitem a sua criatividade e reflitam sobre as histórias.
Eu conto histórias usando todo o meu potencial criativo e intuição. Até onde sei não existem cursos profissionalizantes de contadores de histórias. Há, na verdade, pessoas que reconhecem o valor da leitura e se dispõem a fazer um trabalho de divulgação literária em escolas, hospitais, templos religiosos, asilos... Para isso, muitos participam de oficinas, simpósios, cursinhos, além de lerem sobre as possibilidades de atuação como narradores.
Sabe, tenho um sonho inusitado: eu queria ser como uma biblioteca viva!...
Gostaria de trazer histórias e mais histórias dentro de mim, para enriquecer o meu interior de magia e emoção. Por isso, conto histórias.
Isso é tão forte em minha vida que, quando passo por momentos de tristeza ou enfrento fracassos, vêm à minha mente cenas de meu trabalho como contadora de histórias. Então, me sinto forte, não obstante minha momentânea fragilidade.
Nossa, nem percebi! Estou contando a minha própria história...
Este meu diário será uma oportunidade para eu me conhecer mais, para poder atuar na sociedade com mais segurança e ser uma educadora incansável, com uma singela vocação para a Pedagogia do Amor!...
Sou uma contadora de histórias.
Inspiro-me em Sherazade. Ela salvou sua própria vida com o ato de contar histórias para o sultão, que superou o trauma da traição da esposa com o poder curador dos contos.
Por isso, acredito que todos – crianças, jovens, adultos e idosos – podem curtir o encantamento que envolve as histórias, pois após mergulharmos no universo mágico das tramas, voltamos para a superfície revigorados.
Gosto mais de contar histórias para as crianças. Elas vibram durante a contação, seus olhos ficam iluminados, o sorriso espontâneo e até o estranhamento de algumas me deixa comovida.
Já tive a oportunidade de contar histórias para adultos, mas foi diferente.Bom, mas diferente. Alguns adultos abrem mão de se envolver com a história para avaliar a performance do contador. Acho que perderam o contato com sua a criança interior...
Eu conto histórias porque eu acredito na Poesia da Vida.
Creio que precisa haver um espaço para a imaginação, para o lúdico. Por isso, além das histórias, eu e as crianças sempre desenvolvemos uma atividade juntos, envolvendo pintura, colagem, massinha, dobraduras... Tudo para que as crianças exercitem a sua criatividade e reflitam sobre as histórias.
Eu conto histórias usando todo o meu potencial criativo e intuição. Até onde sei não existem cursos profissionalizantes de contadores de histórias. Há, na verdade, pessoas que reconhecem o valor da leitura e se dispõem a fazer um trabalho de divulgação literária em escolas, hospitais, templos religiosos, asilos... Para isso, muitos participam de oficinas, simpósios, cursinhos, além de lerem sobre as possibilidades de atuação como narradores.
Sabe, tenho um sonho inusitado: eu queria ser como uma biblioteca viva!...
Gostaria de trazer histórias e mais histórias dentro de mim, para enriquecer o meu interior de magia e emoção. Por isso, conto histórias.
Isso é tão forte em minha vida que, quando passo por momentos de tristeza ou enfrento fracassos, vêm à minha mente cenas de meu trabalho como contadora de histórias. Então, me sinto forte, não obstante minha momentânea fragilidade.
Nossa, nem percebi! Estou contando a minha própria história...
Este meu diário será uma oportunidade para eu me conhecer mais, para poder atuar na sociedade com mais segurança e ser uma educadora incansável, com uma singela vocação para a Pedagogia do Amor!...
segunda-feira, 21 de março de 2011
Um poeta dorminhoco
José construiu um barraco, e o bairro não tem saneamento básico...
Acorda, poeta!
José sofre com a doença da esposa, e não há médico...
Acorda, poeta!
José tem cinco filhos queridos, e não há escola para eles...
Acorda, poeta!
José trabalha com garra, e sem a garantia dos seus direitos legais...
Acorda, poeta!
José acredita no poder do voto, e as promessas não se cumprem...
Acorda, poeta!
José não está sozinho...
Muitos josés acordam o poeta,
Que escreve prontamente um título:
“POR UMA POESIA DA ESPERANÇA!”
Acorda, poeta!
José sofre com a doença da esposa, e não há médico...
Acorda, poeta!
José tem cinco filhos queridos, e não há escola para eles...
Acorda, poeta!
José trabalha com garra, e sem a garantia dos seus direitos legais...
Acorda, poeta!
José acredita no poder do voto, e as promessas não se cumprem...
Acorda, poeta!
José não está sozinho...
Muitos josés acordam o poeta,
Que escreve prontamente um título:
“POR UMA POESIA DA ESPERANÇA!”
sexta-feira, 11 de março de 2011
Contar histórias para os filhinhos...
"As crianças pedem a seus pais para lhes contarem histórias antes de dormir. A mãe que se relaciona todos os dias com seus filhos quase que exclusivamente por meio de palavras de ordem - 'Já fez alição?', 'Não deixa nada no prato!', 'Seu quarto está uma bagunça!', 'Não se esqueça de escovar os dentes!' - aparece de outra forma para as crianças quando, à noite, senta-se na sua cama para ler ou contar histórias. É uma outra voz, que se torna tranquila e harmoniosa. É um outro contato humano, num tom mais colorido, divertido, vibrante, misterioso. Da mesma maneira, quando um professor se dispõe a trazer um conto para seus alunos, pode estabelecer um contato com eles, poderíamos dizer de imaginação para imaginação, no qual esta mesma qualidade viva se apresenta de modo insubstituível."
(MACHADO, Regina. "Acordais: Fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias". São Paulo: DCL, 2004)
(MACHADO, Regina. "Acordais: Fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias". São Paulo: DCL, 2004)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Um príncipe encantador!... (Peça que escrevi sobre o aborto)
Era uma vez um príncipe encantador!...
Personagens:
Narrador
Branca, a princesa
Carlos, o príncipe
Julieta, amiga da princesa
Pedro, músico e ex-namorado (amigo) da princesa
João, estudante desleixado e ex-namorado (amigo) da princesa
Aurélio, intelectual e ex-namorado (amigo) da princesa
(Branca entra em cena trajando um lindo vestido de princesa, usando apenas um sapato em um dos pés):
Branca: Espero por um príncipe!...
(Pausa. Entra em cena o príncipe com um sapatinho nas mãos, que ele coloca em um dos pés de Branca para, em seguida, dançar com ela. Música instrumental)
Branca: Espero por um príncipe, mas... não sou nenhuma Cinderela.
(O príncipe estranha as palavras de Branca, e vai se afastando lentamente)
Branca: Nada de nobreza, nada de bondade, nada de delicadeza, nada de simplicidade! Estou mais para bruxa!...
(O príncipe se assusta e se retira às pressas)
Branca: Espelho, espelho meu, você conhece alguma escola de princesas?...
Narrador: Era uma vez uma escola de princesas chamada Vida. Branca, uma jovem sonhadora, estava, como nós, matriculada nesta escola especial e estava prestes a aprender uma importante lição. Ela era uma mulher romântica e, como se costuma dizer por aí, um tanto “moderninha”. Branca vivia de acordo com a seguinte filosofia de vida: “Enquanto o homem certo não aparece, eu me divirto com os errados.”
(Entra em cena uma amiga de Branca e, em seguida, a própria Branca)
Branca: Julieta! Como vai você, fofa?
Julieta: Vou bem... bem mal!
Branca: Mas por quê, menina?
Julieta: Terminei o meu lance com o Romeu.
Branca: Por quê? As famílias de vocês eram contra?
Julieta: Não. Ele é que era sempre do contra... Só mesmo você para acreditar em príncipe encantado...
Branca: É, acredito, mas enquanto o meu príncipe não aparece, a minha coleção de sapos só vai aumentando... (risos de vaidade feminina)
(Branca mostra à amiga algumas fotos em seu celular)
Branca: Olha aqui! Alguns você não conhece... Olha... esse aqui é o João.
(Entra em cena João, um músico carregando um violão, que desfila com uma placa em que se lê: “ Sapo 1”)
Branca: Ele era músico, e era até bem engraçadinho, mas eu tenho ouvidos bem sensíveis...
(João canta mal a música sertaneja “É o amor...”, além de tocar pessimamente)
Branca: Ah! Esse aqui é o Aurélio.
(Entra em cena Aurélio, um rapaz com jeito de intelectual, que desfila para todos com uma placa em que se lê: “Sapo 2”)
Branca: Ele era sensível, mas havia um problema de comunicação entre a gente...
Aurélio: Branca, eu estou anelando por lhe oscular as alfácias e por lhe dar o famigerado amplexo fagueiro dos enamorados!...
Julieta: HEIN?!?
Branca: Calma que eu vou chamar o Aurélio!
Aurélio: Eu estou aqui, minha diva!
Branca: Não é você, querido sabichão! Estou falando do dicionário Aurélio. AURÉLIOOO!
Dicionário Aurélio: queridos falantes de Língua Portuguesa, o referido rapaz apenas disse: “Branca, eu estou ansiando por beijar sua face e por lhe dar o famoso abraço carinhoso dos apaixonados!”)
(O dicionário sai abraçado com Aurélio, buscando consolá-lo)
Branca: Já esse aqui é o Pedro.
(Entra em cena Pedro, um estudante desleixado, que desfila para todos com uma placa em que se lê: “Sapo 3”)
Branca: Ele era divertido, mas meio largadão e tinha um problema sério...
Pedro se senta numa cadeira e tira o sapato. Branca torce o nariz.)
Pedro: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!”
Julieta: É, amiga, a coisa está feia! Acho que os príncipes deviam andar com uma placa escrito “Príncipe Encantado”!
Narrador: Branca acreditava em contos de fadas e sonhava em “ser feliz para sempre”. Mas a sua felicidade estava... no país de si mesma. Um país que ela conservava distante. Por isso, Branca precisava fazer uma viagem, mas uma viagem interior. Sua vida precisava de magia. Magia é acreditar em si mesmo. Magia é mostrar ao mundo quem somos. Magia é curar um coração ferido. Magia é sonhar acordado. Magia é saber que podemos ser felizes.
(Branca está parada em um ponto de ônibus. Ela faz sinal, mas o motorista não para. Entre em cena Carlos, o príncipe, com uma placa colada nas costas, em que se lê: “Príncipe Encantado”)
Carlos: Por favor, você pode me informar as horas?
Branca: Claro. São 16:30h.
Carlos: Obrigado.
(Carlos faz um movimento para avistar o ônibus e Branca lê a placa em suas costas)
Branca: Gente! Não acredito... Bem que a Julieta falou... Um príncipe!!!
Carlos: HEIN?!?
Branca: Você... você é um príncipe!...
Carlos: Calma aí, que história é essa?
(Branca arranca a placa e mostra a Carlos)
Carlos: Ah! É isso?... Meus amigos vivem fazendo essas brincadeiras comigo...
Branca: Mas então... você não é um príncipe?
(Carlos olha para Branca, lê novamente o papel e olha para a plateia)
Carlos: Príncipe Carlos. Muito prazer...
(Carlos beija a mão de Branca)
Branca: Princesa Branca. O prazer é meu...
(Branca e Carlos ficam congelados durante a fala do narrador)
Narrador: Amar é a maior aventura do ser humano. No coração que ama, reina a mais pura paz. Mas só ama quem ousa amar a si mesmo. Quem não se ama, não pode amar os outros. Por isso, ame-se e ame!... Se você amar de verdade, dará ao outro a possibilidade de ter uma relação baseada na honestidade e na sinceridade desde o primeiro momento.
Branca: Você se lembra do dia em que a gente se conheceu?
Carlos: Como eu poderia esquecer os detalhes da nossa história, minha princesa? Esquecer a primeira vez que a vi, esquecer a nossa linda noite de amor!...
Branca: Nossa! Esse mês passou voando....
(Entram em cena Pedro, Aurélio e João)
Pedro, Aurélio e João: Branca?!!!
Branca: Meus amores!...
(Branca se afasta de Carlos e vai abraçar cada um dos ex-namorados. Carlos fica enciumado)
Carlos: Branca, quem são esses?
Pedro: Você não a ouviu? Nós somos os amores da Branca. Somos ex-namorados...
Branca: Eles são meus amigos.
(Carlos fica zangado)
Carlos: Eu estou indo embora. Branca, vamos?...
(Carlos estende a mão em direção a Branca)
Pedro: Branca, está rolando uma festança na casa da Julieta. Você não quer vir com a gente?
Branca: Claro! Eu estou com saudades da minha amiga!... Carlos, vamos?
(Branca estende a mão em direção a Carlos. Todos congelam)
Narrador: Se você se amar e amar o outro de verdade, amará sem data de validade, sem exigências nem contrato, sem condições, sem truques, sem disfarces, sem inseguranças. No estatuto do amor, só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
(Carlos se retira. Branca fica meio indecisa, mas depois que os amigos a chamam novamente, vai com eles para a festa da amiga)
Pedro, Aurélio e João: Branca, vamos?...
(Todos se retiram. Pausa longa. Branca entra em cena alisando a barriga. Carlos chega)
Carlos: Por que você me chamou aqui? A gente não tem mais nada para conversar.
Branca: Carlos, eu acabei me descuidando e... bem... eu estou grávida!
(Carlos experimenta um contentamento, que dura pouco)
Carlos: E... você já sabe quem é o pai?
Branca: Como quem é o pai?... Depois de tudo o que a gente viveu...
Carlos: Não sei não, Branca. Você tem muitos “amores”.
(Branca fica magoada)
Branca: Carlos...
Carlos: Escuta bem o que eu vou lhe dizer, Branca. Pra ficar comigo, você terá que se afastar daqueles seus ex-namorados e se livrar dessa criança, que eu nem sei se é minha...
Branca: Você quer que eu faça um aborto?
Carlos: Filho é coisa séria, e deve ser planejado pelo casal. Desse jeito, parece que você quer me dar o golpe da barriga... O descuido foi seu, portanto o problema é seu!...
(Carlos se retira)
Branca: O conto de fadas acabou!...
(Branca chora quase desesperada)
Branca: Eu preciso beber alguma coisa... Cadê meu cigarro?...
(Ao procurar o cigarro, Branca toca em sua barriga, e passa a alisá-la)
Branca: Não. Eu não posso prejudicar o meu filho...
Narrador: Uma vez ou outra, renascemos de nós. Todo renascimento contém o fim de um ciclo, seja de um estilo de vida, de uma relação, de uma amizade, de um trabalho, de uma ideia, de um comportamento, de um lugar, de um amor. Uma vez ou outra, renascemos de nós.
(Passagem do tempo. Branca entra em cena com o filho nos braços, e passa a conversar com ele)
Branca: Ô, meu filho, você mudou minha vida, sabia? Eu percebi que, para se uma boa mãe para você, eu precisava me tornar uma pessoa melhor. Eu não estou falando só de deixar de beber ou de fumar, eu estou falando de deixar a vida acontecer: correr, brincar, pular, trabalhar, estudar, amar e amar! Eu estou falando de preservação da vida. Você preservou a minha vida!...
(Carlos entra em cena)
Carlos: Branca?...
Branca: Carlos?...
Carlos: Branca, eu pensei bem e...
(Branca se enche de esperança)
Branca: E?...
Carlos: Se ficar comprovado, por um teste de DNA, que esse menino é meu filho, eu vou assumi-lo. Pagar pensão, essas coisas e enfim... É isso. Tchau.
(Branca vai para o centro do palco)
Branca: Espero por um príncipe...
(Pedro, Aurélio, João e Julieta entram em cena com brinquedos nas mãos)
Pedro: Nós viemos ver o seu pequeno príncipe!...
(Branca olha para o filho e descobre que ele é o seu verdadeiro príncipe)
Branca: Um príncipe que me salvou!...
(Cada amigo vai se colocando próximo a Branca, um de frente para o outro, fazendo um gesto de reverência para a criança)
Julieta: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Pedro: Era uma vez um príncipe encantador!...
João: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Aurélio: Era uma vez um príncipe encantador!...
(Todos congelam)
Narrador: Nessa escola de princesas, chamada Vida, Branca aprendeu que as bruxas são apenas princesas a serem descobertas.
Branca: Era uma vez uma princesa e seu pequeno príncipe!...
Personagens:
Narrador
Branca, a princesa
Carlos, o príncipe
Julieta, amiga da princesa
Pedro, músico e ex-namorado (amigo) da princesa
João, estudante desleixado e ex-namorado (amigo) da princesa
Aurélio, intelectual e ex-namorado (amigo) da princesa
(Branca entra em cena trajando um lindo vestido de princesa, usando apenas um sapato em um dos pés):
Branca: Espero por um príncipe!...
(Pausa. Entra em cena o príncipe com um sapatinho nas mãos, que ele coloca em um dos pés de Branca para, em seguida, dançar com ela. Música instrumental)
Branca: Espero por um príncipe, mas... não sou nenhuma Cinderela.
(O príncipe estranha as palavras de Branca, e vai se afastando lentamente)
Branca: Nada de nobreza, nada de bondade, nada de delicadeza, nada de simplicidade! Estou mais para bruxa!...
(O príncipe se assusta e se retira às pressas)
Branca: Espelho, espelho meu, você conhece alguma escola de princesas?...
Narrador: Era uma vez uma escola de princesas chamada Vida. Branca, uma jovem sonhadora, estava, como nós, matriculada nesta escola especial e estava prestes a aprender uma importante lição. Ela era uma mulher romântica e, como se costuma dizer por aí, um tanto “moderninha”. Branca vivia de acordo com a seguinte filosofia de vida: “Enquanto o homem certo não aparece, eu me divirto com os errados.”
(Entra em cena uma amiga de Branca e, em seguida, a própria Branca)
Branca: Julieta! Como vai você, fofa?
Julieta: Vou bem... bem mal!
Branca: Mas por quê, menina?
Julieta: Terminei o meu lance com o Romeu.
Branca: Por quê? As famílias de vocês eram contra?
Julieta: Não. Ele é que era sempre do contra... Só mesmo você para acreditar em príncipe encantado...
Branca: É, acredito, mas enquanto o meu príncipe não aparece, a minha coleção de sapos só vai aumentando... (risos de vaidade feminina)
(Branca mostra à amiga algumas fotos em seu celular)
Branca: Olha aqui! Alguns você não conhece... Olha... esse aqui é o João.
(Entra em cena João, um músico carregando um violão, que desfila com uma placa em que se lê: “ Sapo 1”)
Branca: Ele era músico, e era até bem engraçadinho, mas eu tenho ouvidos bem sensíveis...
(João canta mal a música sertaneja “É o amor...”, além de tocar pessimamente)
Branca: Ah! Esse aqui é o Aurélio.
(Entra em cena Aurélio, um rapaz com jeito de intelectual, que desfila para todos com uma placa em que se lê: “Sapo 2”)
Branca: Ele era sensível, mas havia um problema de comunicação entre a gente...
Aurélio: Branca, eu estou anelando por lhe oscular as alfácias e por lhe dar o famigerado amplexo fagueiro dos enamorados!...
Julieta: HEIN?!?
Branca: Calma que eu vou chamar o Aurélio!
Aurélio: Eu estou aqui, minha diva!
Branca: Não é você, querido sabichão! Estou falando do dicionário Aurélio. AURÉLIOOO!
Dicionário Aurélio: queridos falantes de Língua Portuguesa, o referido rapaz apenas disse: “Branca, eu estou ansiando por beijar sua face e por lhe dar o famoso abraço carinhoso dos apaixonados!”)
(O dicionário sai abraçado com Aurélio, buscando consolá-lo)
Branca: Já esse aqui é o Pedro.
(Entra em cena Pedro, um estudante desleixado, que desfila para todos com uma placa em que se lê: “Sapo 3”)
Branca: Ele era divertido, mas meio largadão e tinha um problema sério...
Pedro se senta numa cadeira e tira o sapato. Branca torce o nariz.)
Pedro: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!”
Julieta: É, amiga, a coisa está feia! Acho que os príncipes deviam andar com uma placa escrito “Príncipe Encantado”!
Narrador: Branca acreditava em contos de fadas e sonhava em “ser feliz para sempre”. Mas a sua felicidade estava... no país de si mesma. Um país que ela conservava distante. Por isso, Branca precisava fazer uma viagem, mas uma viagem interior. Sua vida precisava de magia. Magia é acreditar em si mesmo. Magia é mostrar ao mundo quem somos. Magia é curar um coração ferido. Magia é sonhar acordado. Magia é saber que podemos ser felizes.
(Branca está parada em um ponto de ônibus. Ela faz sinal, mas o motorista não para. Entre em cena Carlos, o príncipe, com uma placa colada nas costas, em que se lê: “Príncipe Encantado”)
Carlos: Por favor, você pode me informar as horas?
Branca: Claro. São 16:30h.
Carlos: Obrigado.
(Carlos faz um movimento para avistar o ônibus e Branca lê a placa em suas costas)
Branca: Gente! Não acredito... Bem que a Julieta falou... Um príncipe!!!
Carlos: HEIN?!?
Branca: Você... você é um príncipe!...
Carlos: Calma aí, que história é essa?
(Branca arranca a placa e mostra a Carlos)
Carlos: Ah! É isso?... Meus amigos vivem fazendo essas brincadeiras comigo...
Branca: Mas então... você não é um príncipe?
(Carlos olha para Branca, lê novamente o papel e olha para a plateia)
Carlos: Príncipe Carlos. Muito prazer...
(Carlos beija a mão de Branca)
Branca: Princesa Branca. O prazer é meu...
(Branca e Carlos ficam congelados durante a fala do narrador)
Narrador: Amar é a maior aventura do ser humano. No coração que ama, reina a mais pura paz. Mas só ama quem ousa amar a si mesmo. Quem não se ama, não pode amar os outros. Por isso, ame-se e ame!... Se você amar de verdade, dará ao outro a possibilidade de ter uma relação baseada na honestidade e na sinceridade desde o primeiro momento.
Branca: Você se lembra do dia em que a gente se conheceu?
Carlos: Como eu poderia esquecer os detalhes da nossa história, minha princesa? Esquecer a primeira vez que a vi, esquecer a nossa linda noite de amor!...
Branca: Nossa! Esse mês passou voando....
(Entram em cena Pedro, Aurélio e João)
Pedro, Aurélio e João: Branca?!!!
Branca: Meus amores!...
(Branca se afasta de Carlos e vai abraçar cada um dos ex-namorados. Carlos fica enciumado)
Carlos: Branca, quem são esses?
Pedro: Você não a ouviu? Nós somos os amores da Branca. Somos ex-namorados...
Branca: Eles são meus amigos.
(Carlos fica zangado)
Carlos: Eu estou indo embora. Branca, vamos?...
(Carlos estende a mão em direção a Branca)
Pedro: Branca, está rolando uma festança na casa da Julieta. Você não quer vir com a gente?
Branca: Claro! Eu estou com saudades da minha amiga!... Carlos, vamos?
(Branca estende a mão em direção a Carlos. Todos congelam)
Narrador: Se você se amar e amar o outro de verdade, amará sem data de validade, sem exigências nem contrato, sem condições, sem truques, sem disfarces, sem inseguranças. No estatuto do amor, só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
(Carlos se retira. Branca fica meio indecisa, mas depois que os amigos a chamam novamente, vai com eles para a festa da amiga)
Pedro, Aurélio e João: Branca, vamos?...
(Todos se retiram. Pausa longa. Branca entra em cena alisando a barriga. Carlos chega)
Carlos: Por que você me chamou aqui? A gente não tem mais nada para conversar.
Branca: Carlos, eu acabei me descuidando e... bem... eu estou grávida!
(Carlos experimenta um contentamento, que dura pouco)
Carlos: E... você já sabe quem é o pai?
Branca: Como quem é o pai?... Depois de tudo o que a gente viveu...
Carlos: Não sei não, Branca. Você tem muitos “amores”.
(Branca fica magoada)
Branca: Carlos...
Carlos: Escuta bem o que eu vou lhe dizer, Branca. Pra ficar comigo, você terá que se afastar daqueles seus ex-namorados e se livrar dessa criança, que eu nem sei se é minha...
Branca: Você quer que eu faça um aborto?
Carlos: Filho é coisa séria, e deve ser planejado pelo casal. Desse jeito, parece que você quer me dar o golpe da barriga... O descuido foi seu, portanto o problema é seu!...
(Carlos se retira)
Branca: O conto de fadas acabou!...
(Branca chora quase desesperada)
Branca: Eu preciso beber alguma coisa... Cadê meu cigarro?...
(Ao procurar o cigarro, Branca toca em sua barriga, e passa a alisá-la)
Branca: Não. Eu não posso prejudicar o meu filho...
Narrador: Uma vez ou outra, renascemos de nós. Todo renascimento contém o fim de um ciclo, seja de um estilo de vida, de uma relação, de uma amizade, de um trabalho, de uma ideia, de um comportamento, de um lugar, de um amor. Uma vez ou outra, renascemos de nós.
(Passagem do tempo. Branca entra em cena com o filho nos braços, e passa a conversar com ele)
Branca: Ô, meu filho, você mudou minha vida, sabia? Eu percebi que, para se uma boa mãe para você, eu precisava me tornar uma pessoa melhor. Eu não estou falando só de deixar de beber ou de fumar, eu estou falando de deixar a vida acontecer: correr, brincar, pular, trabalhar, estudar, amar e amar! Eu estou falando de preservação da vida. Você preservou a minha vida!...
(Carlos entra em cena)
Carlos: Branca?...
Branca: Carlos?...
Carlos: Branca, eu pensei bem e...
(Branca se enche de esperança)
Branca: E?...
Carlos: Se ficar comprovado, por um teste de DNA, que esse menino é meu filho, eu vou assumi-lo. Pagar pensão, essas coisas e enfim... É isso. Tchau.
(Branca vai para o centro do palco)
Branca: Espero por um príncipe...
(Pedro, Aurélio, João e Julieta entram em cena com brinquedos nas mãos)
Pedro: Nós viemos ver o seu pequeno príncipe!...
(Branca olha para o filho e descobre que ele é o seu verdadeiro príncipe)
Branca: Um príncipe que me salvou!...
(Cada amigo vai se colocando próximo a Branca, um de frente para o outro, fazendo um gesto de reverência para a criança)
Julieta: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Pedro: Era uma vez um príncipe encantador!...
João: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Aurélio: Era uma vez um príncipe encantador!...
(Todos congelam)
Narrador: Nessa escola de princesas, chamada Vida, Branca aprendeu que as bruxas são apenas princesas a serem descobertas.
Branca: Era uma vez uma princesa e seu pequeno príncipe!...
domingo, 20 de fevereiro de 2011
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